Em Fuga por uma feira de "velharias", dei com esta obra de Guerra Junqueiro, uma Edição da Europa América,(data?) com ilustrações de Leal da Câmara.
Prefácio à 2ª Edição (excerto)
“Nunca discuti, nem jamais discutirei com quem quer que seja, valor literário duma obra minha. Um livro atirado ao púbico equivale a um filho atirado à roda. Entrego-o ao destino, abandono-o à sorte. Que seja feliz é o que eu lhe desejo, mas se não o for, também não verterei uma lágrima”
O Génesis
“Jeová por alcunha antiga – o Padre Eterno
Deus muitíssimo padre e muito pouco eterno,
Teve uma ideia suja, uma ideia infeliz!
Pôs-se a esgravatar coo dedo no nariz,
Tirou desse nariz o que um nariz encerra,
Deitou isso depois cá abaixo, e fez-se a Terra.
Em seguida tirou da cabeça o chapéu,
Pô-lo em cima da Terra, e zás, formou o céu.
Mas o chapéu azul do Padre Omnipotente
Era um velho penante, um penante indecente,
Já muito carcomido e muito esburacado.
Depois o Criador (honra lhe seja feita!)
Achou a sua obra uma obra imperfeita,
Mundo sarrafaçal, globo de fancaria,
Que nem um aprendiz de Deus assinaria,
E furioso escarrou no mundo sublunar,
E a saliva ao cair na Terra, fez o mar.”
(e continuaaaaa)
Em seguida à Morte de D.João, comecei a escrever um novo poema -A Morte do Padre Eterno, cujo plano completo, até aos mínimos detalhes, estava de há muito elaborado no meu espírito. Mas em torno desta ideia principal, germinou um grande número de ideias e acessórios, donde nasceu um livro novo. A Velhice do Padre Eterno, colecção de 50 poemas, que são 50 balas, que partindo de diversas direcções, vão todas bater no mesmo alvo".
Todo o livro pode ser lido on-line em http://bnd.bn.pt/, editado em 1885, pela Livraria Minerva – Porto
(não aconselhável a Vagabundos de mentes opacas)














