setembro 30, 2007

III - BADALO EM PROGRESSÃO

Como dizem os latinos que "audaces fortuna juvat", em vernáculo, a sorte ("la buena dicha") estará sempre do lado dos que sabem servir-se da sua constante "frontalidade". Mas haja muita cautela, para não cair na esparrela do ditado espanhol: "piensa mal y acertarás". Não fui muito exigente no título ... podia ter escolhido logo o de Marquês ou até de Duque, porque não? Vale tudo!...
É verdade, estou a olvidar o "Badalo em Progressão". Peço a Deus que me livre dos males da "arterioesclerose": "Ab omni malo libera nos, Domine". Peço aos psicanalistas e similares que não me atormentem com a existência de "recalcamentos". Estou certo que já acabei com todos eles. E não foi sem tempo. Ao tomar o título aristocrático, o mais profundo do meu EU, obrigou-me a mostrar (vejam lá que grande exigência) o meu título de plebeu de "Comendador da Ordem da Frontalidade". É fardo pesado e imperioso. Foi-me concedido com a condição de nunca o despir num unico momento do resto da minha complicada vivencialidade. Terei de o usar, mesmo quando já tiver passado do cais do Aquém para o cais do Além? Espero que, por Deus conhecer tão bem o meu íntimo, não me tome por vaidoso.
Sabes quais são as insígnias da "Ordem da Frontalidade"? São um colar "escalate" (símbolo de vida a caminhar pela áspera montanha do "dever de dizer sempre a VERDADE, de praticar o bem, custe o que custar)", colar de que está pendente uma cruz de ferro, marca que impõe sacrifício para defesa do homem sem distinções de raças, de credos, de posições, sem sujeição a marginalizações, sem curvaturas a mandos suezes dos que o ente humano pretendem plastificar. Leitor amigo é "comenda" de aparente aspereza, mas a única "comenda" que dignifica seus filiados, que lhes assegura a "única alegria sobre a terra" abrindo-lhes as portas da "imortal felecidade".
A "Ordem da Frontalidade" aceita todos os desafios em que esteja a defesa do homem como finalidade determinante e irreversível, nem que, para isso, tenha de derramar todo o sangue anímico da sua ernergia humana, que o preço exigido tenha de ser a epopeia gloriosa de deixar, pela vida fora, por todas as partes do mundo, "a vida em pedaços repartida". Eis o meu lema, eis a minha divisa.

"Sejamos HOMENS"!...
"Contra hipocrisias, SINCERIDADE,
Contra fanatismos, crença no HOMEM
Contra fanatismos, crença no HOMEM "

Do livro "DEUS E O DIABO".

Sei muito bem, com tristeza o digo, que os doutores do "Reino da Mediicridade" (em catadupa) nunca souberam o que era "consciência", porque a deles "era verde, e comeu-a um burro". Mas pobre burro, morreu intoxicado.
Para ti, leitor ciente, vou gritar os versos do nosso guia, Antero de Quental:

" A ideia, o Sumo-Bem, o Verbo, a Esssência,
Só se revela aos homens e às nações
NO CÉU INCORRUPTÍVEL DA CONCIÊNCIA"

Confrades, chegou a hora de assumirmos os nossos compromissos. Não podemos pactuar com este mundo de imbecis, de corruptos, de envenenadores das águas puras com que nos saciamos todos os "Comendadores da Ordem da Frontalidade".
Chicoteemos, com o látego da Razão, todos os escravizados ao serviço das loucuras dos potentados do Culto ultra-infernal da "Imperatriz" ou "rameira" da mais aviltante "Mediocridade". Sejamos livres! Abram bem os olhos da alma para podermos ficar plenamente convictos de que o " REI VAI NU ".
Se formor fiéis á mais alta das Comendas (da Ordem da Frontalidade), alcançaremos o galardão inapreciável de "nos conhecermos a nós mesmos", de podermos vociferar com Antero:

"Dorme o teu sono coração liberto,
Dorme na mão de Deus eternamente"

Badaladas Cínicas
Reis Brasil
Visconde de "Além da Ponte"
Comendador da Ordem da Frontalidade

julho 23, 2007

II - BADALO EM ACÇÃO

Arquivado o meu titulo de "Proletário Intelectual", precisava de algo que soasse bem ao ouvido.Fi-lo muito honestamente, porque "presunção e água benta cada um toma a que quer".Como tenho uma parcela de terreno na minha aldeia sita no lugar de "Além da Ponte", achei lógico e justo condecorar-me a mim mesmo com a ´"cónica", mas honrosa, condecoração ou titulo honorifico de "Visconde de Alem da Ponte". Para universalizar este titulo vou servir-me de "SINO" da minha intelecto-efectividade.Está bem? Está mal? Isso é comigo e só comigo. Quero mesmo que sirva de rente e a posição que tomarem, desde que seja expressão de gáudio e de sentido simbólico a todos quantos lerem estes conceitos, prenhes de notória "frontalidade". É-me indiferente a posição que tomarem, desde que seja expressão de consciente "SINCERIDADE". Seja como for, tenham sempre um certo cuidado na posição assumida, porque "quem muito se abaixa ...".
Se os outros se condecoram uns aos outros, como não poderia eu condecorar-me a mim próprio? É mais simples; é mais lógico; é mais justo, porque "cada um deve saber as linhas com que se cose". Atenção, leitor curioso!... É premente estar sempre precavido contra os nojentos seguidores do "posso, quero e mando". Será sempre certo que "cesteiro que faz um cesto, pode fazer um cento". A matéria é grave. No seu exame pode estar a jogar-se o nosso presente, pode estar a destruir-se todo o nosso futuro. Ouvi:"A bom entendedor...".



Badaladas Cínicas
Reis Brasil
Visconde de "Alem-da-Ponte"
Comendador da Ordem da Frontalidade

junho 13, 2007

I - BADALO NA MÃO

Com grande respeito pelos “cãezinhos”, vou dizer quem sou. Em tempos idos condecorei-me com o titulo de “Proletário Internacional”. Como este titulo já cheira muito a bafio, determinei mete-lo no armário das velharias. Não estranhes, leitor amigo. Ouve-me bem. Vai por mim. Sou mesmo assim. Excogitei a asneira de ter uma mais choruda condecoração. Garanto-te, irmão no culto da Vida, na prática do Bem, no clima de SINSERIDADE, que nunca me candidatei a condecorações ou prémios.
Vi que condecorações e prémios exigiam uma preparação assaz longa em universidades de culto fidelíssimo ao intenso e extenso “Reino da Mediocridade”. Os grandes-mestres destas instituições “modelares” são muito avares na distribuição de títulos, condecorações e prémios. Ai o que vou dizer!... Consta-me que os grandes potentados destas instituições são, em boa parte, dominados por imperativos, mais que categóricos, dum certo numero de sociedades secretas. Cala-te boca! É melhor ficar por aqui. Sei qual foi o martírio do meu ilustre “confrade” quando publicou o livrinho com o titulo “ Os Burros”. Dizem as más-línguas que se referia à Assembleia da Republica do seu tempo.
Catei, muito a meu gosto, alguns meandros da concessão de títulos e de condecorações. Fiquei assustado com a grande reserva deles para com a “sacrossanta família” dos “afilhados” e dos “afilhados de outros afilhados”. Senti o grande favoritismo concedido a “todos os clubes do elogio mutuo”. Há muito mais a vomitar, mas…”cala-te boca!”. Isso da “liberdade de expressão” é balela, só boa para deitar “poeira” nos olhos dos “parvinhos”. De resto sinto-me orgulhoso por viver fora destas escolas e destes clubes, em que predomina a ditadura contra o HOMEM-HOMEM. Apontarei ainda que há certas virtudes fundamentais: hipocrisia e bajulação. A mascote deste clima é o “CAMALEÃO”.
De resto, leitor atento, temos de medir o sentido de tais títulos, prémios ou condecorações, avaliando sempre a “fonte turva” donde tudo isto procede. Quem não conhece a “crónica” dos grandes “donatários” daquilo que não lhes pertence? Vale a pena aprofundar este clima, examinando bem a atitude dos “cozinheiros” destes pratinhos tão cobiçados, em virtude dos fortes temperos duma “babosa adulação”. Por outro lado, os tais “donatários” exigem sempre que o seu calçado ande sempre muito bem “engraixado”.
Sá de Miranda conhecia-os bem, pois já populariam século de quinhentos. Eis aquilo que eles nunca poderiam ser:

“Homem dum só parecer
Dum só rosto e duma fé
D’antes QUEBRAR QUE TORCER
Outra coisa pode ser,
HOMEM DA CORTE NÂO É”!...

BADALADAS CINICAS
Reis Brasil
Visconde de “Além-da-Ponte”
Comendador da Ordem da Frontalidade

julho 03, 2006

A União dos Vagabundos


Na noite de 3 de Julho de 1971, Jim Morrison junta-se a Janis Joplin e a Jimi Hendrix no reino dos Vagabundos.
Quando pela primeira vez em 1984 visitei Pere-Lachaise, junto á campa de Jim entendi o porquê do mito "Jim está vivo?".
Consta que ele próprio encenou a sua morte. Pam, que poderia responder a grande parte das duvidas sobre morte Jim morreu pouco tempo depois.
Na minha modesta opinião, penso qe Jim ao mudar-se para Paris, sabia que o ciclo da sua vida terrena estaria prestes a terminar, se assim foi, porque não mudar-se para a cidade onde tudo acontecia e que foi "abrigo" de alguns dos seus Vagabundos preferidos, tais como Apolinaire, Rimbaud, Breton, Blake e outros mais.
Seja como fôr, Jim continua vivo na minha mente.
Não fosse alguns imprevistos, neste preciso momento, estaria em Pere Lachaise com um grupo de pessoas vindas de todo o Mundo, bebendo uma "bjeca" á saude de Jim.
Mas, como já constou que ele anda Vagabundeando algures pelo Norte de África, é para lá que vai ser a minha próxima Fuga, portanto amigos meus, estou de partida novamente.
Penso que desta vez vai ser menos prolongada... a ver vamos!!!

We want the World
And we want it

Nowwwwwwwwwww


Vagabundo

janeiro 03, 2006

"John Wesley Harding"
Drifter's Escape
'Oh, help me in my weakness,
I heard the drifter say,
As they carried him from the courtroom
And qere taking him away.
'My trip hasn't been a pleasant one
And my time insn´t long,
What it was that I've done wrong.'
Well, the judge, he cast is robe aside,
A tear came to his eye,
'You fail to understand,' he said,
'Why must you haven try?'
Outside, the crowd was stirring,
You could hear it from the door.
Inside, the judge was stepping down,
Wile the jury cried for more.
'Oh, stop that cursed jury,'
Cried the attendant and the nurse,
'The trial was bad enough,
But this is ten times worse.'
Just then a bolt of lightning
stuck the courthouse out of shape,
And wile ev'rybody knelt to pray
The drifter did escape.
Bob Dylan, 1968

                dezembro 03, 2005

                Ao Brazão, um Rasta

                Havia sido cumprida a profecia de Marcus Garvey.
                Ras Tafari Makonnen é coroado Imperador da Etiópia, passando a chamar-se Hailé Selassié I. É crença dos rastas que Hailé Selassié I, é descendente do Rei Salomão e da Rainha Makeda.
                A filosofia Rastafari começa a ser propagada pelo mundo e principalmente junto dos negros Jamaicanos e da sua comunidade em Fuga pelo Mundo. BOB MARLEY foi um desses negros. Marley vivia na favela Trench Town (Cidade do Esgoto), assim chamada por ter sido construída sobre as valas de drenagem dos esgotos de Kingston, um cenário de pobreza e injustiça social.
                O cenário ideal para Marley, Bunny e Peter Tosh porem em pratica uma filosofia de música que é influencia por uma filosofia de vida "O Rastafari é um Revolucionário, não se intimida, não aceita ser comprado. Luta sozinho com a sua música" Bob Marley.

                O movimento dos Rastafari estava no auge, quando Sua Magestade Imperial o Imperador Hailé Selassié da Etiópia, visita a Jamaica num claro incentivo á redenção e á libertação.
                A 5 de Dezembro de 1976 Marley anuncia um concerto gratuito em Kingstone, como forma de criar uma necessidade de paz nas ruas onde a desordem era total, restos da violência social deixada em testamento pelo Imperialismo Espanhol e Inglês."Quando me lembro do estalar do chicote, o meu sangue fica gelado, lembra-me um navio de escravos, quando brutalizavam a minha alma" Bob Marley.
                Nesse mesmo dia o Governo Jamaicano é acometido por uma micose verbal, e marca eleições para o dia 20. Na tarde do concerto Bob Marley sofre uma tentativa de assassinato. ( humm… Scotland Yard? CIA? Há quem diga que sim!)
                Apesar de uma breve aparição Marley sobe ao palco numa clara provocação aos seus agressores "O governo transfere para o povo toda sua fúria e sofrimento"Bob Marley.
                No ano de 1978 Marley volta à Jamaica com "One Love Peace Concert", nesse mesmo ano recebe a Medalha da Paz pelas Nações Unidas, para no final do ano visitar pela 1ª vez a Etiópia, o seu Lar espiritual, o Lar Rastafari.
                Em 1980 Marley é o convidado de honra nas cerimónias de Independência do então libertado Zimbabué.
                Em Maio de 1981 vitima de cancro, Marley parte para ZION. "Já estive aqui antes e voltarei, ainda não terminei esta viagem" Bob Marley
                Bob Marley e os Wailers são a ligação do Rasta com o reggae, no entanto isso não significa que todo o reggae tenha por base a Filosofia Rastafari.
                Rita Marley tenta a todo o custo, transferir os restos mortais de Bob Marley para a Etiópia. Perdi-me na noticia que é de Fevereiro de 2005.

                "A cura de uma Nação. Erva como fruta. Mantenha-se saudável e com a mente alerta"Bob Marley.

                Fugas do Vagabundo

                novembro 27, 2005

                "John Barleycorn"


                Nas “Memórias de um Bebedor” (no original John Barleycorn) Jack London defende-se de John Barleycorn e, com uma escrita sublime e arrojada revela algumas peripécias da sua vida, não que elas não fossem do domínio público mas quase com certeza afirmo que Jack as escreveu para o despertar de consciências de Vagabundos futuros. Não sendo sua intenção fazer deste livro uma Auto Biografia. London leva para o esclarecimento que a companhia de Jack Barleycorn foi o ponto de partida para a sua auto-destruição.
                A dada altura diz" E contudo o que eu conto sucedeu-me a mim próprio, em carne e osso.Trata-se de uma experiência vivida e não de uma especulação teórica.É na minha opinião, um exemplo impressionante do extrordinário poder de John Barleycorn[...] (1)

                Capitulo I (1)
                Apresento John Barleycorn

                John Barleycorn, de quem eu era o intérprete, ia revelar os seus mais íntimos segredos num acesso de transbordante franqueza".

                “Existem, geralmente falando, dois tipos de bêbados um é que nós todos conhecemos, estúpido, sem imaginação, cujo cérebro está ceio de caprichosas manias e se estatela frequentemente na valeta […] O outro tipo de bêbedo tem imaginação e visões […] Não é o seu corpo que está embriagado mas o cérebro […] É a hora em que chega John Barleycorn e em que ele vai empregar toda a sua sagacidade para exercer o seu poder.”

                Tudo isto não convém de modo algum a homem, criado para viver, amar e ser amado. Contudo o suicídio, rápido ou lento […] tal é o preço que cobra John Barleycorn, nenhum dos seus amigos escapa ao cumprimento deste regulamento equitativo”

                Jack London foi um Vagabundo em Fuga pelo Mundo, mas nunca, absolutamente nunca, nunca teve um momento de tranquilidade” (1)
                Morre em 1916, suicidou-se na companhia de John Barleycorn.

                Perguntar-se-ão, afinal quem é John Barleycorn?

                (1) "Memórias de um Bebedor” uma edição da Editorial Inquérito, julgo ser anterior a 1943, está estratégicamente posicionado numa estante da BV. É, e sempre será um livro de eleição.
                Tudo bem eu confesso, já foi devorado várias vezes.

                As Fugas do Vagabundo

                novembro 20, 2005

                As Flores do Mal

                Charles Baudelaire e os seus procedimentos muito pouco convencionais - para a época - fizeram emergir das profundezas os "Poetas Malditos", foram seus seguidores, Rimbaud, Verlaine, Mallarmé, Lautréamon e não sei quantos mais!
                São celebres as "reuniões" de vários Vagabundos em 1845 no Hotel Pimadon em Paris, no "Clube Dés Hashishins", as experiências de Baudelaire nestas "reuniões" serão mais tarde relatas em "Os Paraisos Artificiais", emoções momentâneas, Fugas à mediocridade da existência, momentos de raros e lúcidos "sabores", mesmo que o despertar seja devastador.
                Tendo dilacerado a sua pequena fortuna, Baudelaire que era um adepto da vida bóemia e libertina de Paris é submetido a julgamento familiar, onde lhe foi nomeado um tutor para controlar as suas Fugas Parisienses.
                Por esta altura já Baudelaire tinha dado inicio à sua obra mais controversa as "Flores do Mal". Logo após a sua publicação em 1857, e depois de ser selvaticamente atacado pelo " Le Fígaro", todos os exemplares são confiscados, sendo que alguns a pedido de Baudelaire, foram escondidos pelo seu editor. Intitulado como obsceno e um ultraje à moral publica a sua publicação só é autorizada com a expurgação de seis poemas, o que veio a acontecer. Apenas em 1911, vieram a ser editados todos os 52 poemas do original.
                Charles Baudelaire, morre em 1867 vitima de paralisia.
                "É preciso estar sempre embriagado. Para não sentirem o fardo incrível do tempo, que verga e inclina para a terra, é preciso que se é sem descanso. Com quê? Com vinho, poesia, ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se."

                As Flores do Mal "Metamorfoses do Vampiro"
                "Da mulher, no entanto, com a sua boca de morango,
                Contorcendo-se como uma serpente sobre brasas
                Seus seios excitados no ferro do seu espartilho,
                Corria um fio com odor acre a sexo feminino:
                «Repara como meus lábios estão hímidos. Sei levar
                Um homem, no fundo de um leito, ao mais antigo desvario."
                "As Flores do Mal", edição da Relógio DÁgua, faz parte da BV e sem expurgações!!
                Fugas do Vagabundo

                novembro 13, 2005

                O Universo Zappianno

                Antes do lançamento de "Absolutely Free" em 1967 Zappa assiste á recusa da MGM em publicar as letras e o «livrinho de instruções". Aqui Zappa intensifica a sua luta contra a fachada american way of life.
                Zappa pôs nú as atrocidades no Vietnam; a violência racial, fome nas ruas, a violência religiosa, os compadrios mal cheirosos entre a politicos e religião, o sexo que para a american way of life era o mesmo que defecar pelo cérebro... e mais não digo!
                «Durante um espectáculo no Garrick, Zappa descobre na assistência dois Fuzileiros e entrega-lhes uma boneca insufllável diz-lhes que é um bebé Vietnamita, pede que exemplifiquem o que lhe fariam caso estivessem no Vietname – furiosamente reduziram a boneca a bocados. A todo este tipo de actuações Zappa chama-lhes Atrocidades, da qual a mais famosa é a da girafa que surpreende a plateia com inesperadas e longas ejaculações».Com natas, é claro!

                Após as censuras em “We’re Only In It For The Money”, Zappa responde de duas maneiras:
                1- « não só não tem sentido retirarem isso como me foderam a peça de musica […] tiraram agudos e meteram graves para abafar as palavras»
                2- Funda a Bizarre Productions, e inicia o processo de trituração aos inquisidores. Inclui uma passagem da Const.Americana em todos os seus discos.

                Na impossibilidade de fazer referência a todo o universo Zappiano, viajo até 1985 com “Frank Zappa Meets The Mother Of Prevention”, onde o caminho contra a devassidão da american way of life, faz com que o que juiz «inquisidor» Padre Fletcher, Tipper Gore, (mulher do senador Albert Goore), Susan Baker (mulher do sec.est. James Baker) e com a Mother Of Proteccion Nancy Regan vomitem um documento, em que entre muitos encontram-se: Elton Jonh, «um cantor que promove drogas, relações lésbicas, prostituição e suicídio», Jimi Hendrix «um deus que morreu com o seu próprio vómito», Janis Joplin «uma conhecida lésbica, que quando olhou para o espelho se suicidou porque não gostou do que viu», Jethro Tull, por insinuarem que «no principio o homem criou deus».
                Foi criada uma comissão no senado, com o fim de levar ao extermínio frases e atitudes em musica e espectáculos. As mulheres do Big Brother não contavam que a testemunha principal para travar os seus intentos fosse FRANK ZAPPA: que antes que qualquer lei fosse aprovada, volta a incluir uma nova passagem da Const.Americana em " Frank Zappa Meets The Mother Of Prevention", provocadora no mínimo!
                O Universo Zapianno atinge a Orquesta Sinfónica de Londres que toca várias peças suas; o memorial em Vilnius (ucrânia);O planeta 3834(nome inicial) descoberto em 1980 que com o apoio de Vaclav Havel (presidente checo) e de todos os Zapiannos recebe o seu nome ZappaFrank .QUE TODOS OS ZAPPIANOS HONREM O SEU LEGADO.
                Frank Vincent Zappa, morre em 4 de Dezembro de 1993, cumpriu!!!DESAFIOU COMO POUCOS O FIZERAM a american way of life.
                As fontes para esta Fuga vieram da B.V., uma Edição da Assirio & Alvim - 1985 "Antologia Poética de Frank Zappa" de António Filipe Marques, bem como uma Edição de Fora do Texto - 1988 "Frank Zappa - A Grande Mãe" de Cesár Figueiredo, bem como da D.V.
                A BV e a DV aceitam raridades de Zappa, mas não peçam muitos "eurozes".
                Vagabundo

                novembro 06, 2005

                A Questão da Fazenda

                Junho de 1882:
                «Veja-se como em cada legislatura se propõe e se discute uma das poucas questões graves de que o parlamento ainda se ocupa. Referimo-nos á coisa a que, no calão official em que tem degenerado a lingua patria, se chama - a questão da fazenda

                «Reunidas as camaras e aberto perante ellas o Orçamento do Estado, começa-se invariavelmente por constatar, n'um tremolo elegiaco de symphonia funebre, que continua a existir o deficit. Cada um dos tres governos a quem a corôa alternadamente adjudica a mamadeira do systema encarrega-se de explicar aos tachigraphos essa occorrencia-aliás desagradavel, cumpre dizel-o - mas de que elle, governo em exercicio, não tem a culpa. A responsabilidade cabe ao governo transacto, bem conhecido pelos seus esbanjamentos e pela sua incuria.»

                «Tal é o conceito formidavel em que cada um dos referidos tres governos tem os outros dois!»

                «[...] o deficit tem dois sacos, um para deante outro para traz, ambos destinados a receber o vacuo. N'um dos sacos mette-se a divida fluctuante, no outro mette-se a divida consolidada. De quando em quando ha um relampago de jubilo, porque parece por um momento que o alforge do deficit está vasio, isto é, que está sem vacuo dentro: é a divida, que se achava em estado de fluctuação no saco da frente, que passou no estado de consolidação para o saco de traz.»
                «Pela parte que lhe respeita o Paiz espera. O quê? O momento em que pela boa razão de não haver mais coisa que se collecte, porque estará, collectado tudo, deixe de haver quem empreste por não haver mais quem pague.»

                In "As Farpas". Crónica mensal da política, das letras e do costume.
                Algumas edições da revista, estão disponiveis no Projecto Gutenberg em
                http:// www.gutenberg.net/.

                n.V. - Em 1871, Eça de Queiroz e Ramallho Ortigão começam a Farpear toda a sociedade da época, nada nem ninguem escapou á corrosão das suas críticas. Saliento ainda nesta edição, as Farpas que espetam no Marquês de Pombal,«Addusem-se razões e testemunhos [...] é um individuo secundário na classe dos estadistas».
                Cento e vinte e três anos após Eça e Ramalho, terem enfiado estas Farpas aos touros da epóca, constacto apenas a mudança dos touros.

                Fugas do Vagabundo

                outubro 30, 2005

                SONS PARA OS DEUSES


                Quando Adrian Maben, propôs aos Pink Floyd a ideia de fazer um filme, eles apenas exigiram: nada de dobragens, não queriam publico e desejavam que a banda fosse parcialmente fimada em obscuridade. Surge então a ideia de fazer o filme nas ruinas de Pompeia, em Itália. As autoridades italianas, apenas exigiram a redução dos décibeis, talvez com receio de uma nova desaparição de Pompeia, uma vez que a mesma esteve suterrada durante 1700 anos, devido a uma erupção do Vesúvio em 79 dc.
                Em Outubro de 1971, iniciam-se as gravações de "Pink Floyd At Pompeia", espectadores de outras eras observavam em silêncio, Plinio, O Velho encontrava-se entre eles.

                Fazem-se ouvir as primeiras notas de "Echos Part I", a banda envolvida por toda a grandeza do anfiteatro, encaminha-nos para uma viagem pelos sons psicadélicos. Com o uso das técnicas do eco e com imagens da cidade em ruinas Echos transporta-nos para uma obra sem precedentes, para depois Roger Waters gritar num tom armonioso alternando com o diabólico " Careful With That Axe Eugene" fundindo as imagens da banda com imagens dos habitantes petrificados da cidade.

                Em" One of This Days" Nick Mason prova a quem tem dúvidas, porque é um dos maiores bateristas da história, delicia-nos com uma viagem de seis minutos, dando a entrada a Gilmour que, sentado na arena com a guitarra entre as pernas, leva-nos para mais uma viagem sonora pelo psicadelismo puro em "A Saucerful of Secrets".

                Waters dá voz a " Set the Controls for the Hearth of the Sun".(fazendo-me lembrar o motivo porque não aprecio a era pós Roger Waters) enquanto Richard Wrigth faz estremecer o frágil anfiteatro com sons electrocutantes.

                Com Waters na guitarra, Gilmour na harmónica, "Whithe Dog?" interpreta um Blues, de tão majestoso que é, não o consigo descrever. A voz que emana da garganta de "White Dog" é perfurante e real.

                O filme termina no sentido inverso de como começou com a banda desaparecendo lentamente por entre as ruinas da cidade e interpretando "Echoes Part II".

                Toda a mescla de interpretações que aqui deixo, não seria possivel sem a contribuição da Daisy, que recuperou para as novas tecnologias a versão original que obtive em 1979, durante uma Fuga Vagabunda.

                Vagabundo

                outubro 23, 2005

                Antonin Artaud

                Vagabundo marginalizado e intolerado, foi um dos impulsionadores do movimento surrealista juntamente com André Breton e outros não menos importantes. Artaud fez tudo o que se pedia a um surrealista: actor, teatro, pintor, Louco, poeta, ensaios, palestras, cinema, a busca da satisfação e do desejo. Após todo este processo criativo e de toda a merda o ter criticado, parte para a América Central, em busca do Iage (mais um). Com ele veio a visão do resto da sua Fuga: sofrimento, abandono, doença, esmola e morte. Internado durante nove anos em vários hospícios, (1937-1946), a sua obra nunca parou de crescer, escreveu freneticamente até que André Breton, Jean Paul Sartre, Picasso, Albert Camus, Simone de Beauvoir e mais alguns Vagabundos, conseguiram "resgatá-lo" aos perfuradores de cérebros, (psicanalistas), que Artaud tanto odiava. Morreu em Março de 1948, com um sapato na mão.
                " Acabar com o Julgamento de Deus" foi a ultima Fuga de Artaud, programa de rádio, que no dia seguinte à sua gravação foi proibido de ir para o ar, vindo a ser emitido apenas em circuito fechado.

                " Srs. Reitores,
                Na estreita cisterna que os Srs. chamam Pensamento, os raios espirituais apodrecem como palha".
                In Escritos de um Louco (bv)Carta aos Reitores das Universidades da Europa.

                " O mundo é o abismo da alma. Papa caquético, Papa alheio à alma, deixa-nos nadar em nossos corpos, deixa as nossas almas para as nossas almas, não precisamos da tua espada de claridades"
                In Escritos de um louco (bv) Carta ao Papa.

                " Dá-nos um Espírito sem hábitos, um Espírito verdadeiramente congelado dentro do Espírito,
                ou então um Espírito com hábitos mais puros, os teus, se forem bons para a liberdade"
                In Escritos de um Louco (bv) Carta ao Dalai-Lama.

                " Não admitimos que se trave o livre desenvolvimento de um delírio, tão legítimo e lógico quanto qualquer outra sequência de ideias e actos humanos. Os Loucos são as vítimas individuais por excelência da ditadura social: em nome dessa individualidade intrínseca ao homem, exigimos que sejam soltos esses encarcerados da sensibilidade, pois não está ao alcande das leis prender todos os homens que pensam e agem".
                In Escritos de um Louco (bv) Carta aos Directores de Hospícios.

                Desde já fica a advertência que quem tiver a devida coragem de lêr Antonin Arnaud, corre o risco de ser "alcunhado " de Louco, se tentar imitá-lo, estará a um passo do Hospício. As mentes opacas que (pensam?) correr estes riscos , serão assoladas por uma
                terrível diarrhoea mental.

                Vagabundo

                outubro 15, 2005

                William Burroughs, Allen Ginsberg e Jack Kerouac



                A Fuga destes três Vagabundos foi o inicio da criação de um Movimento de Escrita, Discussão, Sexo, Leituras, Discórdia, Drogas, Jazz, Contestação, Álcool e On The Road. Há quem lhe chame a Geração Beat. Tanto Faz!!! Tiveram como companhia Gregory Corso, Neal Cassydy, Hal Chase, William Carlos William, Lawrence Ferlingheti e muitos mais.

                - Quando em 1956 Ginsberg expulsa da sua mente alucinada o "Uivo" (b.v.), sendo logo apreendido pela polícia de S.Francisco, catalogado como obsceno e pornográfico, Kerouac (des)enrola o rolo de trinta páginas de "On The Road" (b.v.) escrito em apenas três semanas onde relata as suas viagens por toda a América e Burroughs cóspe " Naked Lunch" (b.v.), onde denuncia de uma maneira cínica e depreciativa a sua visão da sociedade, inicia-se o que estes Vagabundos à muito procuravam: uma "revolução literária feita por leitores que se tornaram autores e vagabundos ".
                Estavam assim lançadas as sementes para o que estava para chegar: A contra-cultura dos anos 60 e 70.

                William Burroughs, Cartas do Yage - "Fiquei sentado lá (após ter bebido uma dose de chá) esperando o efeito, e quase imediatamente tive o impulso de dizer: não foi suficiente quero mais".
                ( yage: droga telepática-alucinogénica e expansiva da mente, usada pelos índios da América Central)
                Allen Ginsberg antes de morrer "Pensei que iria ter medo mas estou animado"
                Jack Kerouac, On The Road - "As nossas malas estão na estrada de novo. As estradas eram mais longas, mas não importava. A estrada é a Vida".

                Kerouac morre em 1969, aguardou 28 anos por Ginsberg, 4 meses depois é a vez Burrouhgs, reunindo-se assim os três Vagabundos, em volta da mesa de chá, que entretanto Kerouac manteve posta.
                Vagabundo

                outubro 09, 2005


                Sex Pistols, Nancy e Malcolm McLaren são estes os nomes que dão o pontapé de saída para o movimento Punk (prostitutas para Shakespeare) na Europa.
                Algo continua (e assim deve continuar) por esclarecer:
                Terão sido os Sex Pistols, um golpe de marketing por parte de Malcolm McLaren que chegou a proferir os 10 passos para criar uma fraude?
                Num todo não, mas em grande parte julgo que sim, veja-se o que os Sex Pistols conseguiram, em tão pouco tempo de Fuga:
                - Johnny Rotten, num Tak Show da BBC:“Fuck-You” foi o 1º. No momento seguinte os média pareciam piolhos saltitões… quem é este gajo? Perseguidos até á exaustão.
                - Concertos esgotados e cancelados devido á paranóia que assolava a banda.
                - A estilista Vivianne Westwood, começa a vestir os elementos da banda.
                - Foram expulsos de duas gravadoras a EMI e a A & M, Richard Branson da Virgin deu-lhes a mão. (2ª versão de Malcolm?)

                - “Anarch in the UK” não derruba os moralistas ingleses, mas fez frida… doeuuu!
                - Os trabalhadores das editoras pela 1ª vez entram em greve, recusam-se a produzir o álbum “Nevermind The Bullocks”.
                (medo de contágio)
                - Lançam o Álbum “God Save The Queen” no ano comemorativo do jubileu dos 25 anos de Reinado de Isabel II. Foi banido e o seu nome nunca foi proferido nas rádios, mesmo com esta “sacanice” o álbum atinge o top britânico.

                - Malcolm McLaren tenta raptar Nancy, para assim a afastar de Syd Vicius, entretanto totalmente dependente da Heroína, ambos caminhavam para a auto-destruição.
                -Nancy aparece esfaqueada num quarto do Hotel Chelsea, em N.Y.. Syd Vicius é acusado de homicídio. Dias depois após Richard Branson ter pago a fiança, Syd morre de overdose. Por esclarecer continua a duvida se foi suicídio ou acidente.
                Findam os Sex Pistols, continua o seu legado, o PUNK: palavra que figurava nos dicionários da época como sendo “ pessoa desordeira, inútil, obsoleto e sem valor”, após o reino dos Sex Pistols:

                “ estilo de musica muito alta, agressiva a vibrante, originária do final da década de 70 e associada com protestos contra o status quo e contra o sistema”
                (Fonte: Oxford Advanced Learner´s Dictionary)

                Eu chamo-lhe a negação de todas as formas de co-existência.
                Aos 16 anos enfiaram-me com "God Save the Queen" pelo cérebro dentro.
                Memórias, leituras e alguns apontamentos muito Vagabundos.

                outubro 03, 2005

                Janis Joplin - A Rainha dos Blues

                27 ANOS DE VIDA

                Decorre o a ano de 1970, gravava então Janis o álbum "Pearl", quando em 2 de Outubro, assinou o testamento e marcou data para o seu casamento, no dia 4 do mesmo mês Janis é encontrada morta no quarto de hotel.
                Afirma-se que as causas da morte de Janis foram o álcool, a heroína e as anfetamanias. Não poderemos esquecer a solidão que acompanhou a sua curta vida. A suas Fugas foram dirigidas aos Blues Cósmicos, isto sim foi a sua vida, mas a verdade só ela sabe, pois só ela a viveu.
                Janis encantou toda uma geração, viveu a vida como ninguém tinha ousado fazer. A paixão com que cantou Blues, maravilhou toda a geração de 60 e 70, prolongando-se até hoje.
                Janis explodiu prós Blues durante o Festival de Monterey, nem a actuação apocalíptica dos The Who bem como a explosão da guitarra de Jimi Hendrix, conseguiram ofuscar aquela “menina” frágil e dócil. Surgia assim, a primeira reencarnação feminina do delírio colectivo de toda uma geração.

                Li algures, que a família de Janis já autorizou a realização de castings (que palavra de cáca) “ Search for the Pearl “como se isso fosse possível – com a intenção de seleccionarem alguém que substitua Janis numa torne com as três bandas que a acompanharam. Já tentaram o mesmo com o Doors, e veja-se o que foi.

                «Estou nesta vida para me divertir e vou curti-la ao máximo» Janis Joplin
                «No palco faço amor com 25mil pessoas, depois vou sozinha para casa» Janis Joplin
                «Janis Joplin canta blues com tanto sentimento como uma negra» BB King
                «Fiquei chocada, pois nunca tinha ouvido uma rapariga branca cantando blues (sobre da actuação de Janis no festival de Monterey)»Michelle Phillipps

                Janis Joplin partiu em Fuga há 35 anos, juntando-se a Jimi Hendrix, que tinha partido no mês anterior. Em Julho de 1971 Jim Morrisson junta-se-lhes, ficando assim completo o trio de Vagabundos.

                Fugas Vagabundas