junho 29, 2005

Sylvia Plath


ESPELHO
Sou prateado e exacto.Não tenho preconceitos
Tudo o que vejo engulo imediatamente
Do jeito que fôr, desembaçado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro-
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
Ela é rosa, pontilhada. Já olhei para ela tanto tempo,
Eu acho que ela é parte do meu coração.Mas ela oscila.
Rostos e escuridão nos separam a todo o momento.
Agora sou um lago. Uma mulher dobra-se sobre mim,
Buscando na minha superficie o que ela realmente é.
Então,ela vira-se para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e reflito-as fielmente.
Ela recompensa-me com lgrimas e um agitar de mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha,
Ergue-se em direcção a ela dia após dia, como um peixe terrivel.

1 comentário:

Sara disse...

Porque o pensamento constitui o pior dos tormentos...
Ja leste alguma coisa de Virgínia Woolf? Mesmo sem querer lembrei-me dela ao ler este lindo e inquietante excerto de Sylvia Plath.